24 de mar de 2018

ENTREVISTA DE DOMINGO: Doniseti Melo

“Quem incha de vaidade, engravida de egoísmo” de autoria de Marcos Vinícius Trindade, que se tornou sinônimo de pessoas que seguem a caminhada da vida com humildade, é uma das preferidas do radialista Doniseti Melo, conhecido dos mourãoenses e dos ubirataense, e também dos  ouvintes e leitores da região de Foz do Iguaçu. 
"Desde criança fui apaixonado por comunicação. Fui presidente de comissão de formatura e desde cedo procurei falar em público. A paixão pelo esporte veio, inicialmente, ouvindo o rádio e admirando grandes profissionais em nível nacional", conta Doniseti Melo, paranaense de Bela Vista do Paraiso, um dos filhos do seu Sebastião e da dona Alzira de Melo. 
"Sem piriri piriri", como ele faz questão de dizer em suas jornadas, há mais de 14 anos em Foz do Iguaçu, ele é o homenageado deste fim de semana na ENTREVISTA DE DOMINGO no BLOG DO ILIVALDO DUARTE. 
Doniseti de bem com a vida, conta um pouco da sua história e trajetória, irá relembrar fatos e pessoas marcantes em sua vida de 36 anos no mundo da comunicação. "O meu sentimento é de dever cumprido e nunca esquecer de reconhecer o apoio e incentivo de várias pessoas. Para ser pilar, é necessário plantar boa semente que um dia possa crescer conosco" diz um dos mais completos profissionais do rádio brasileiro. 

Quem é Doniseti Melo? Sou Doniseti Jacinto de Melo, ganhei  um apelido nos anos 80 (cognome que não pegou), de Jacaré, de autoria do amigo radialista Tony José. Nasci dia 15 de setembro de 1955 em Bela Vista do Paraíso (PR). 

Sou filho dos saudosos Sebastião e Alzira de Melo, casado com Sandra Maria e tenho quatro filhos: Ronnie, Kelly Cristina, Douglas Bruno e Taynara Aline.
Como se define? Sou autêntico e valorizo todas as pessoas, respeitando cada uma delas, além de sempre procurar me evoluir como pessoa humana e buscar novo aprendizados.
Onde e como foi a sua infância? Minha infância começou em minha cidade natal no início
dos anos 60. Depois a família veio para a cidade de Ubiratã (PR) - fotos-. Foi um período inesquecível, como a maioria das pessoas, comecei a estudar na Escola Rural São Bom Jesus. Ajudei meu pai na roça, plantávamos café e depois hortelã. Jogava bola no time da família e da escola. Ajudava minha mãe nas vendas de verduras e frutas na cidade nos fins de semana.
Como foi sua juventude, que histórias lembra? Na minha juventude em Ubiratã, a apoteose da vida começou. Vivia na “Avenida com o brilho de um bom Filho de Deus”. Estudei e terminei o antigo segundo grau (hoje ensino médio). Maria
Cícera foi a primeira namorada quando eu tinha 15 anos, ainda no sítio. Jogava futebol no time local e nas horas de folga, apresentava programas (na imaginação) no rádio. Um susto foi quando simulava uma transmissão de futebol, virei e notei que umas 15 pessoas me assistiam. Fiquei com vergonha e comecei a descobrir o que gostaria de fazer.
Como foi e onde sua trajetória profissional começou? Como atuava como professor, sendo diretor de uma escola Consolidada
em Ubiratã, a paixão falou mais alto, e investi no setor de comunicação. 
Em um concurso onde participou mais de 50 pessoas, fui o aprovado para trabalhar na Rádio Difusora de Ubiratã, empresa coordenada por Adilson Gonçalves Neto, isto foi em 15 de setembro de 1982. 
Depois de cinco anos fui trabalhar na Rádio Colmeia de Campo Mourão a convite do amigo e irmão Irineu Luís Ferreira Lima, o Luizinho, que me descobriram em Ubiratã. Na Colmeia atuei em três momentos. Tive passagens em outras emissoras do Paraná e Mato Grosso. 

Como narrador ainda passei pelas emissoras Tabajara de Londrina, Capital de Cianorte, Clube de Ubiratã, Cultura de Paranavaí, Difusora de Barra do Garças (MT), Rádio Clube de Ubiratã, Capital AM de Cascavel, Ingamar de Maringá, Cultura de Foz do Iguaçu, Foz TV, Canal 21 (a cabo e ligada a TV Tarobá, e hoje continuo no rádio e em jornal. Em Foz sou funcionário da Rádio 97,7 FM. 
Nos jornais impressos atuei nos jornais A Gazeta do Paraná, O Estado do Paraná, Correio de Notícias, Nosso Tempo, Jornal de Foz, O Vale do Piquiri, Gazeta do Piquiri, O Estado do Mato Grosso. Estou há 14 anos no Jornal Gazeta do Iguaçu (hoje Gazeta Diário), em Foz.
O que fez no seu trabalho que não faria de novo? Loucuras como viagens e retorno após transmissões, sem dormir e arriscando a vida pelas estradas. Chegar às seis da manhã e emendar no trabalho. Não há saúde que resiste.
Como é sua atuação na comunidade? Depois de conhecer o valor da vida e superar adversidades, sou participativo. Integrou um grupo de liturgia da igreja (católica), ofereço algo para
ajudar a amenizar pessoas de baixo poder aquisitivo e participo de bons eventos, especialmente os sociais
Como entrou a comunicação e o esporte em sua vida? Desde criança fui apaixonado por comunicação. Fui presidente de comissão de formatura e desde cedo procurei falar em público. A paixão pelo esporte veio, inicialmente, ouvindo o rádio e admirando grandes profissionais em nível nacional.
Quais, entre tantas experiências, não saem da memória? Conviver com a família em encontros especiais, como reunir pais, irmãos, sobrinhos e outros, no terreiro de casa debaixo das árvores ainda morando no sítio e a primeira viagem com o tio Geraldo para Governador Valadares (MG). Até então não conhecia a vida lá fora e locais como a cidade de São Paulo.
E sua história no rádio: o que não sai
da memória desta época? Quando fui aprovado no teste para trabalhar no rádio e as pessoas especiais que conheci e convivi dentro e fora do rádio.
Qual o melhor time com quem já trabalhou? Qual jogo que não sai da memória? Essa é fácil de responder: Um timaço no início dos anos 90 na Rádio Colmeia de Campo Mourão. Dei uma minha contribuição, mas contei com o profissionalismo de grandes amigos, entre eles: Acir Gonçalves, Gerson Maciel, João Nereu, Ilivaldo Duarte, França Nery, Levi de Oliveira, Joãozinho Batista, Sebastião Vitter, Rubens Sartori, Miguel Abud, Armando Walter, Silfredo Colombo, Professor Idê, Edir Martins e Wilson Bibiano.
Qual é o melhor time que já viu jogar ou transmitiu de todos os tempos? Melhor time que vi jogar foi o Flamengo de 1983, formado por Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Élder, Baltazar e Júlio César. O Flamengo venceu o Santos na final por 3 a 0 e foi campeão brasileiro com o técnico Carlos Alberto Torres. Jogo contou com 155.523 torcedores em dezembro no Maracanã.
Porém o jogo que transmiti e ficou na memória foi o de ida, no mesmo campeonato, quando o Santos ganhou por 2 a 1 com um golaço de Pita do meio da rua.
Como analisa o esporte atualmente no Brasil?  E a comunicação? O esporte brasileiro cresce especialmente depois dos governos
criarem bolsas e apoio aos atletas, mas o futebol mudou para pior. Tem jogador que jura amor há três ou mais times dentro de apenas um semestre. Fala-se muito em dólares e euros e esquece o conteúdo em campo.  Já a comunicação se tornou prostituição. O sujeito sem a mínima condição, compra horário para ter o prazer de utilizar o microfone. 

Os bons profissionais são poucos valorizados. Tem “ignorante” que se diz gerente de rádio, que nem sabe o que é rádio, alguns resolvem nem pagar quem lhe prestou serviço. Esse é chamado “testa de ferro” de outros, que utilizam o rádio para vencer disputa política.
Qual manchete ficou na sua memória de vida? “Quem incha de vaidade, engravida de egoísmo”. A frase de Marcos Vinícius Trindade, se tornou sinônimo de pessoas que seguem a caminhada da vida com humildade.
Qual seu esporte preferido, ídolo e time? O futebol que também é o meu e o esporte da “massa”. O maior ídolo foi o Edson Arantes do Nascimento (sou do temo do Pelé). Sou torcedor (sem fanatismo) do Santos Futebol Clube.
Quem é o comunicador exemplo? Qual o melhor narrador na sua opinião?  Dos que trabalhei o grande exemplo é o amigo e irmão Gerson Maciel (Foto).
Ele é polivalente e nunca perdeu a humildade. Louco é quem perde o seu trabalho. 
O melhor narrador que ouvi foi o Osmar Santos, isto em nível nacional. Hoje o seu discípulo Eder Luís é que leva o ouvinte ao alarido. Se me permitir quero citar o grande Anísio Moraes (foto abaixo) . Em quase 30 anos de rádio, nunca perdeu o horário e dono de grande  conhecimento. Até na morte de seu pai, primeiro cumpriu o horário e depois viajou para o funeral.

Qual título em que vibrou como nunca?
O penta do Brasil em 2002. Os jogos de nossa seleção eu tive o prazer de transmitir naquele mundial, em Foz, em trabalho especial pela Rádio Cultura. Trabalhando ao lado de um profissional exemplar, o melhor repórter da tríplice fronteira, Sidinei Buzanelo (foto).
Cite três personalidades por onde você passou? Valdelino Ribeiro, meu diretor na Rádio
Difusora de Barra do Garças (MT,  ele foi coordenador de emissoras de rádio e TV em grandes centros e meu ensinou muito. 
Irineu Luís Ferreira Lima (Na foto com uma suas netas). Para mim foi e continua personalidade: carismático, companheiro e uma pessoa que me valorizou profissionalmente e como ser humano.
No jornalismo, são muitos os grandes profissionais, mas o Sid Sauer e o Antônio Luiz de Matos, o "Toninho" (Foto, uma rara do Toninho, que aparece em pouquíssimas fotos), sempre foram os donos da caneta e sem perder a humildade.
Cite três personalidades esportivas? Márcia Tomadon Moreira, campeão sul-americana de handebol e que alcançou lugar de destaque como gestora no Paraná.
Itamar Tagliari, dava impressão que o seu óculo fazia ele ver a jogada com antecedência e como dirigente e técnico, sempre foi dono de grande sabedoria; e
(sem querer jogar confete) o nosso “Repórter de Cristo  (Ilivaldo Duarte), pelo conhecimento da matéria e pela ascensão profissional. A frase “só não ouve Ilivaldo Duarte que não tem rádio ou não tem vizinho”, de sua autoria, permanece na memória. 
Abaixo, Itamar, Ilivaldo e Luizinho Lima, no Valternei de Oliveira.
Qual jogada que, se pudesse voltar no tempo, jamais teria feito? Ser mais presente com o time familiar e comemorar mais com a equipe interna que é o nosso sustentáculo.
O que ainda não fez que, se tivesse condições, ainda gostaria de fazer? Estar mais próximos de meus filhos e ficar mais perto dos verdadeiros amigos.
Quais virtudes para ser um jornalista completo? Entender o fato para depois anunciar ou comentar. “Quem sabe, muitas vezes não diz. E quem diz muitas vezes não sabe”.
Qual seu sentimento após esta jornada vitoriosa na comunicação? De dever cumprido e nunca esquecer de reconhecer o apoio e incentivo de várias pessoas. Para sermos pilar, é necessário plantar boa semente que um dia possa crescer conosco.
JOGO RÁPIDO
Música? "Muito Estranho", de Dalton, lançada em 1982.
Livro? Otimismo em Gotas (R.Dantas), é uma coletânea de pensamentos positivos e mensagens animadoras que reforçam nossa fé e confiança
Autor? Paulo Coelho, nomeado em 2007 pela ONU como Mensageiro da Paz. Também na música revolucionou o vernáculo brasileiro com parceria com o saudoso Raul Seixas.
Professor? Melécio Marciniuk (foto). Especialista em história. Suas aulas eram fantásticas. Suas explicações faziam o aluno a ver imagens sair do abstrato para o concreto.
Sonho? Ver um Brasil mais humano e com menos desigualdades entre as pessoas. Testemunhar a felicidade de gente do bem.
Saudade? Dos tempos de infância, de ver os animais de diversas raças juntos, mostrando que são mais humanos que os homens. Saudade maior dos meus pais e irmãos já falecidos.
Momento inesquecível?  Sentir a presença de Deus em um momento difícil. Ver os sinais do Soberano e se emocionar com tudo o que Ele faz para nós.
Hobbby? Escrever e ouvir músicas, especialmente românticas
Rádio? Apoteose da minha vida.
Na “Boca do Túnel na Rádio Colméia, antecedendo as jornadas esportivas aos domingos? Noticiário esportivo completo com presença de grandes profissionais.
Mania? Tentar fazer tudo certo.
Programa? Cidade Aberta (que apresentei no rádio por vários anos): diversificado e com grande audiência.
Frustração? Depois de ser aprovado e chamado para ser narrador esportivo em uma grande emissora (Inconfidência de Belo Horizonte MG) e perder a oportunidade. (1994).
Família é? Um refúgio que prevalece de pé, mesmo quando as maiores tempestades passam pelas nossas vidas.
O Brasil do presente é? Um mar de corrupção e com um lamaçal que precisa ser estancado.
O Brasil do futuro será? Aquele que o povo sonha, contudo, cada um precisa acordar e escolher melhor no momento de votar
Ética é? 
O momento atual da sua vida? Agradecer a Deus por nunca ter me abandonado e fazer com que Ele é o nosso caminho. Quando experimentamos o poder de Deus nas nossas vidas, tudo é transformado.
O sentimento desta homenagem e a partilha da sua vida e história?De emoção pelo reconhecimento. Saber que a amizade é um sentimento sublime, puro e verdadeiro.
Quem gostaria de ver ou rever homenageado aqui no Blog? Entre outros, o professor, escritor e ministro da Eucaristia José Agnaldo Feitoza. Uma pessoa que gostaria que fosse meu irmão.
Nota do Blog: ele já foi homenageado na ENTREVISTA DE DOMINGO. Acesse ou copie no navegador
http://ilivaldoduarte.blogspot.com.br/2011/09/entrevista-de-domingo-agnaldo-feitoza.html
Qual pergunta não foi feita que gostaria de ter respondido? Para que existimos? Conforme o entendimento dos homens de bem, nós somos a imagem de Deus. Existimos para nos relacionarmos com ele, e para manifestar ao mundo o seu caráter.
Fim de papo Doniseti, qual o recado final aos leitores do BLOG DO ILIVALDO? Tentar, cair, levantar, recomeçar. Nunca desistir.
De coração Ilivaldo, toda minha gratidão por você. Sempre torço para que Deus continue te abençoando. Campo Mourão sempre está em mim e você faz parte de tudo o que me aconteceu de bom. Um grande abraço a você e a todos.







4 comentários:

  1. Muito obrigado, confrade Ilivaldo, por mais esta entrevista! Desta feita, com o meu amigo-irmão Donizeti Melo! Esse tem história para contar, grande profissional da comunicação!

    ResponderExcluir
  2. Grande personagem, o Doniseti. Vibro com suas conquistas e o admiro desde os primeiros dias em que trabalhamos juntos. Parabéns aos dois, Doniseti e Ilivaldo. Show!

    ResponderExcluir
  3. "Alô, galera. Gente que ouve a gente, e faz da gente, gente muito mais gente.Obrigado, gente, pela companhia de sempre. Aquele abraço, gente". Anderson Silva. Ouvinte dos tempos das narrações do Sport "Leão do Vale".

    ResponderExcluir
  4. Curtia e admirava os jornais apresentados por este grande profissional. Foi bom conhecer um pouco do lado pessoal de Donizete Melo.

    ResponderExcluir