11 de out de 2017

DILMÉRCIO DALEFFE: A Tribuna nossa de cada dia

"O Jornal Tribuna do Interior completa, exatamente no dia do aniversário de Campo Mourão, 49 anos de vida. Fundado em dez de outubro de 1968, o impresso é hoje uma referência da cidade. Durante todo este tempo, palavras foram escritas, frases construídas e os fatos de toda uma população, ficaram eternizados na história. As pessoas marcaram os fatos, mas foi o diário quem os narrou. Uma vida ética, com bons e maus momentos.
   Eu, Dilmércio Daleffe, posso dizer, sem medo de errar, sou um rato da TRIBUNA. Fui criado ainda aos 18 anos diante das precárias máquinas de escrever da década de 90. Estagiava na casa velha de madeira no mesmo local ainda onde está o atual prédio da empresa. Eram tempos diferentes, completamente contrários aos de hoje. Não
tinha o Google. Não sei como sobrevivi sem este instrumento. Agora, a jornada está mais fácil. Mas graças a Deus pude presenciar aqueles tempos.
   A história do jornal está escrita em duas etapas: antes e depois da aquisição de Nery e Dorlly Thomé. Juntos, os dois compraram o diário de Maria Alice Dassi e Bohdan Denczuk – como constava no contrato social – em 1991. Antes disso, Dorlly era apenas a gerente geral da TRIBUNA e, Nery, um agrônomo com uma coluna sobre notas agrícolas. Como a empresa foi colocada à venda, o casal viu uma oportunidade de um bom negócio, e assim o fizeram. Também entraram no bolo Sid Sauer, Noeli Aparecida Boquai e Ubiraci Magela. Com o tempo, Nery comprou as outras partes, passando a administrar ao lado da esposa todo o jornal.
   Ainda me lembro que era um aprendiz de jornalista, um repórter sem convicção. Mas tinha uma figura que sempre me empurrava. Era a temida Dorlly. Dona de uma personalidade sem igual, forte e marcante, era ela quem coordenava a redação. Tinha medo dela. Corrigia, dava dicas mas, quando a matéria estava ruim, era inevitável: a gritaria começava. Sem dó nem piedade. Mal sabia eu, um moleque de bosta, que todo aquele aprendizado me tornaria um verdadeiro jornalista, um dia. Valeu a pena. E como valeu.
   A velha casa de madeira ainda não pertencia ao jornal. A TRIBUNA tinha que pagar aluguel. No entanto, após algum tempo, o imóvel foi comprado. A empresa começava, enfim a se expandir. Anos mais tarde, em 1997, a casa foi demolida para dar lugar ao prédio atual de alvenaria, com toda estrutura para trabalhar. O jornal amadureceu.
   
Jamais esquecerei das vezes em que revelava meus próprios filmes em preto e branco. Não existia a tecnologia das máquinas digitais. Então o jeito era adentrar ao laboratório e me virar. Pegava o líquido revelador, inseria o filme, aguardava alguns minutos. Depois, somente com o auxílio da luz vermelha, iniciava a ampliação. Do negativo, o papel começava a ganhar vida. Um tempo que não volta mais. Uma mágica que me fez um fotógrafo. Uma arte inimaginável. Devo isso ao jornal.
   Em 1997 a TRIBUNA abandonou o formato germânico e adotou o standart. O modelo é utilizado até hoje. Nery diz que não acredita ainda que a empresa tomou o porte atual. “Olho para trás e, às vezes, não acredito que tornamos a TRIBUNA no sucesso que é hoje”, diz. Trata-se de um referencial. Um veículo de comunicação que pauta os demais órgãos da região. Segundo ele, nunca
houve arrependimento em tocar o negócio. No entanto, crises econômicas assustaram, levando por algumas vezes à dúvida se o jornal sobreviveria às turbulências. E sobreviveu. Mais que isso. Atravessou as tormentas ficando cada vez mais forte. Metas alcançadas. Sonhos conquistados. Assim é a TRIBUNA. Um planejamento de ideias que não para e que é fortalecido pelo site. E com o mesmo compromisso de sempre com a notícia, esperamos a chegada dos 50, em 2018." 
Dilmércio Daleffe, em artigo publicado na edição especial dos 70 anos de Campo Mourão, em 10 de outubro de 2017.
NOTA DO BLOG: a versão original no jornal impresso não contém imagens, isto posto, as inseridas acima, nas quais em três aparece o jornalista mourãoense é de iniciativa do Blog do Ilivaldo.

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