2 de jan de 2017

COLUNA DO PROF. MACIEL: Não saia pela porta dos fundos, prefeita

“A passagem de comando desde já implica no trato civilizado público entre quem entrega com quem receberá o cargo. Os eleitos não precisam esperar o juramento que farão para então exercerem o mandato. Além da transição, prefeito e vereadores devem seguir o preceito estabelecido (...)... Legalidade; Impessoalidade; Moralidade; Publicidade e Eficiência”. José Eugênio Maciel (Aos eleitos, “prefeito não tem pai”, trecho desta Coluna, 8.10).
O prazo estabelecido pelo Ministério Público terminou dia quatro deste mês. Porém nada da prefeita Regina Dubay (PR) agir no sentido de iniciar a transição. Dois integrantes do Observatório Social de Campo Mourão prestaram as seguintes declarações: “A equipe de transição pouco conseguiu fazer até agora”, informou a advogada Dâmares Ferreira; e, segundo o presidente Roberval Ruscetto, “Algumas informações estão no Portal da Transparência, mas, além de defasadas, não trazem dados sobre diversas secretarias da prefeitura”.
Contas abertas? Contas que não fecham? Antes ou sem entrar no mérito da real situação das contas da prefeitura de Campo Mourão é inadmissível e sem qualquer cabimento o fato da prefeita não reconhecer que ela tem sim obrigações de assegurar, facilitar, viabilizar a transição, pois é sempre o interesse público que deve prevalecer. É possível antever, existe um grande desequilibro nas finanças municipais, basta levar em conta as medidas tomadas por ela tão logo terminaram as eleições: demissões, redução do horário de expediente, corte de despesas e mais nenhuma autorização de gastos. Contrasta com o antes propalado pela prefeita, tudo estava em ordem.
Não carece tecer maiores considerações e sim lembrar fatos históricos e recentes que servem como fonte para a reflexão, sobretudo sobre saber ganhar e saber perder o poder; curvar-se ao poder do povo manifesto pelo voto. Embora existam outras, quatro situações cabem bem citá-las resumidamente. 
O último presidente do golpe militar foi o general Figueiredo. Sem o voto do povo ocupou o cargo de 1979 a 1985. Principiava o fim da ditadura com a eleição ainda indireta de um presidente civil, Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse. Figueiredo não passou a faixa presidencial para Sarney e saiu pela porta dos fundos do Palácio. Em Campo Mourão, quando prefeito pela última vez, 1989-1992, Augustinho Vecchi deixou um devastador retrato do abandono, basta listar duas das nefastas situações: salário dos servidores públicos em atraso, sem 13º e o não pagamento de muitas contas com fornecedores e prestadores de serviços contraídos pelo Erário.
Terminada a eleição para prefeito paulistano no primeiro turno, o atual Fernando Haddad (PT) imediatamente tornou público o reconhecimento da derrota e convocou o então adversário João Dória (PSDB) para um encontro. Haddad iniciou a transição com transparência e celeridade. Logo oficializada a vitória de Donald como presidente dos Estados Unidos e em que pese a disputa acirrada que derrotou Hillary, apoiada por Obama, o atual presidente telefonou para o eleito e iniciou a transição na Casa Branca.
Dos fundos ou da principal, a porta pela qual sairá Regina tem como certo é que será em 31 de dezembro. Ela já passa a fazer parte da história mourãoense como a primeira mulher a ocupar o cargo. Restará saber o legado que transmitirá. Certo que em nada lembrará as positivas transmissões do cargo, transição civilizada ao longo da história de Campo Mourão. Será pouco menos, parecido ou muito mais que a herança do Vecchi?
Fases de Fazer Frases (I)
Não confundamos: saber com quem contar, com não saber contar
Fases de Fazer Frases (II)
Todas as imagens são imaginação?
Olhos, Vistos do Cotidiano
Só para citar notícia mais recente da prefeita Regina, a Justiça sentenciou a anulação da lei que reduz pela metade a carga horária dos médicos na prefeitura. Ainda, os bens dela foram bloqueados.   
Reminiscências em Preto e Branco
Não confundamos: Sucessão e sucessão: O primeiro se refere a fatos ou pessoas que se sucedem sem interrupção. E sucessão é aumentativo figurado de grande sucesso.  
José Eugênio Maciel, mourãoense, filho de pioneiros, professor, sociólogo, advogado e membro da Academia Mourãoense de Letras e do Centro de Letras do Paraná.

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