14 de mai. de 2012

COLUNA DO PROFESSOR MACIEL: Agarrem os donos dos navios piratas


“A faculdade que o homem tem de fazer justiça torna possível a democracia, mas a tendência do homem a injustiça faz da democracia uma necessidade” Reinhold Iniebuhr
As treze caravelas do Cabral aportaram no Brasil e fizeram deste lugar colônia lusitana. Caravelas são pequenas embarcações quando comparadas com navios enormes que existiam no século XV. Os portugueses eram profundos conhecedores na arte de navegar, juntamente com os ingleses, eram os senhores dos mares. A experiência os ensinou que um navio grande quando era avariado ou afundava, todo um trabalho de anos naufragava. Foi por isso que construíram caravelas, embarcações que, em alto mar, possibilitavam o socorro umas as outras. Eram velozes, seguras.
Nas águas salgadas a pirataria faz parte da história marítima e econômica. Eram os corsários a assaltarem embarcações carregadas de ouro, prata e especiarias como canela e pimenta tão valiosas à época quanto os mencionados minérios.
Era comum a reação aos navios piratas resultar em mortes ou prisões daqueles que faziam o serviço pesado, enquanto que os verdadeiros donos das quadrilhas que ficavam ricos com a pilhagem estavam confortavelmente nos palácios, freqüentando a corte, ostentando títulos de nobreza.
Diante de mais uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI que em tese irá apurar os envolvidos em mais um escândalo, desta vez o bicheiro Cachoeira e o senador Demóstenes Torres, ambos comandantes respectivamente de algumas das caravelas, piratas de alta patente, o cenário da batalha naval pressupõe muita gente sendo socorrida por outras caravelas, ou, pulando em alto mar encontram uma resistência enorme para serem acolhidos pelas caravelas que, ou partem velozes longe dos navios que principiam a afundar, ou sentem o peso das suas próprias embarcações, algumas delas a deriva.
Prender e condenar o que está posto são parte apenas de um bem engendrada estrutura que movimenta permanentemente o desvio do dinheiro público para o enriquecimento ilícito de quadrilhas que sugam o Erário, aliás, com grande facilidade conforme o caso, sem serem pegos pela Justiça ou por contarem com a morosidade dela. No caso Cachoeira e Demóstenes são algumas caravelas, repleta sim de muita riqueza desviada, roubada.
Lamentavelmente querem que a CPI não chegue a conclusão alguma, os partidos, sem precisar mencioná-los, mas são os maiores deles na composição do Congresso Nacional, tanto os de sustentação do governo ou de oposição a ele, deixam cada vez mais claro que estão com o rabo preso, temerosos que muitas caravelas não resistam e venham a submergir, com a riqueza e com tripulantes e principalmente passageiros.
Ainda que grandiosa, a CPI é pequena diante do “mensalão”. O julgamento do processo por parte do STF – Supremo Tribunal Federal é fator decisivo para que se possa acreditar minimamente que o País pode e deve ser passado a limpo. Parece estar afastada a possibilidade de preclusão, o que seria a maior vergonha político-jurídica na história recente brasileira. O crime, caso não seja a tempo julgado, compensaria, uma vez mais e sobretudo. A tal ponto de desmoralizar ou deixar claro que não teria valido a pena leis como o da improbidade administrativa e a da “ficha limpa”.
Nossos olhos devem se voltar para o Parlamento nacional ao mesmo tempo para a maior Corte de Justiça do Brasil, poderes que agirão ou se omitirão, levando o povo a desconfiar que tenha mesmo algum poder, resta pressionar para que não somente os piratas dos navios sejam alcançados com alguma condenação, mas os donos das embarcações, assaltantes corsários da mais alta estirpe da ladroagem.
Fases de Fazer Frases
Idas e vindas, a passagem do tempo demonstra a vida e o fim dela.
Olhos, Vistos do Cotidiano (I)
Antônio José, do Jornal O Liberal apontou o erro desta Coluna do último domingo. Ao comentar a morte do radialista Ely Cordeiro, num ato falho digitei, ao final da nota, “Ely Rodrigues”, embora em todas as demais partes do texto tenha escrito corretamente. Apresento a todos os caros leitores as minhas escusas, agradecendo a observação do A. José.
Olhos, Vistos do Cotidiano (II)
Como se fosse um parto, finalmente o terminal urbano de C. Mourão foi novamente entregue. A inauguração foi no último sábado, após três meses a mais do que previa o cronograma. O vereador Sidnei Souza Jardim (PPS) criticou a demora, que tudo estava pronto e a prefeitura não entregava a obra à população. A repercussão do caso foi ruim para a prefeitura que tratou logo de inaugurar. Enfim, o terminal foi terminado.
Reminiscências em Preto e Branco
A batuta é guardada. A regência termina. A harmonia, ritmo, tom... A música passou a ser o silêncio indesejável. A percussão chega ao fim. O maestro se retira do palco, sai de cena, fazendo ecoar o vazio profundamente triste do luto representado pelo último adeus.
Nascido em Irerê em dois de abril, despediu-se da vida aos 74 anos, no último dia oito, Luiz Vieira de Moura, o maestro Lincoln, símbolo mais nítido da Banda Municipal de Campo Mourão, da harmonia musical singular, autenticamente brasileira e vivamente mourãoense.
A Banda, todos os seus músicos, a nossa música, a nossa cultura, seja ela popular ou erudita expressam, através de um sentimento de gratidão indizível, o reconhecimento a um cidadão de bem, humilde, extremamente humano, dedicado ao seu mister com profissionalismo ético, disciplinador, repleto de exemplos de afeto, paciência e grande respeito ao seus semelhantes.
José Eugênio Maciel é mourãoense, professor, sociólogo, advogado e membro da Academia Mourãoense de Letras

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